quinta-feira, 15 de junho de 2017

Por Que Os Moçambicanos Repudiam a Compra de Mercedes para Deputados?

Foto: Google
O governo de Moçambique adquiriu 18 viaturas de marca Mercedes-Benz avaliadas em 228 milhões de meticais para os membros da Comissão Permanente da Assembleia da República. Não é de hoje os que moçambicanos contestam as elevadas regalias de que os parlamentares têm beneficiado. As reclamações ganharam eco nos últimos dias quando o governo investiu mais de 200 milhões para adquirir viaturas protocolares para os deputados. 
O país atravessa um momento delicado, avaliando a situação de debilidade económica. É também verdade que os preços dos produtos de primeira necessidade tem vindo a registar uma ligeira redução quando comparado com os preços praticados no início do ano quando um dólar norte-americano chegou a atingir os incríveis 70 meticais. O motivo por que o povo repudia a aquisição das viaturas deve-se ao facto de o país ter assistido nos últimos três anos, entre outros problemas, a dívida pública crescer de forma desenfreada. 
A corrupção, por exemplo, insiste em ganhar os mais variados feitios e reluz como uma pedra preciosa, conquistando cada vez mais adeptos. Este mal conquistou grande visibilidade no país e muitos são os que nele se têm envolvido, desde indivíduos, diga-se, anónimos - até figuras sobejamente conhecidas na sociedade e que ocupam inclusive cargos de direcção. É ocaso, por exemplo, do ex-Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos – Abduremane Lino de Almeida – julgado no último mês (Maio) sob a acusação de desvio de fundos de Estado.
As instituições do Estado constituem outrossim incubadoras de onde emergem as mais criativas ideias da prática de corrupção. Tal é o caso, a título de exemplo, do julgamento de nove indivíduos acusados de desvio de fundos no Ministério da Defesa, que teve início ainda neste mês (Junho). Para além de pessoas estranhas ao Estado, constam dentre os julgados, funcionários do próprio Ministério da Defesa que "adulteravam o número de efectivos do Comando, fazendo com que se pagasse salários a pessoas que não existem na instituição, valor que era canalizado nas contas de familiares, conhecidos e pessoas com quem tinham relações amorosas", conforme escreve o País Online.
Por que investir milhões de meticais para compra de viaturas protocolares num momento que difícil para o país? – Assim se questionam os moçambicanos e com grande indignação, visto que um dos problemas que o país atravessa principalmente nas capitais provinciais, com destaque para a cidade de Maputo, é o problema de insuficiência de transporte público.
Muitos moçambicanos sofrem nas chamadas horas de ponta para conseguirem um autocarro que lhes possa fazer chegar aos seus respectivos postos de trabalhos, entre outros destinos – uma reclamação que já tem "barbas brancas". 
Ao aceitarem carros de luxos comprados pelo "dinheiro do povo", fruto de pagamento de impostos, os moçambicanos viram-se traídos por aqueles que, idealmente, deveriam os representar. Num momento em que a economia nacional procura se estabilizar, esperava-se que os parlamentares envidassem esforços de forma a procurar soluções para colmatar, por exemplo, a dilema de insuficiência de transporte público nas grandes cidades. 

Assim ironizou o internauta Tomás Queface, no Twitter
O certo é que o povo moçambicano vêem a compra de Mercedes como mais um acto de corrupção, no qual os dirigentes se têm envolvidos nos últimos tempos, ainda que os deputados tenham adquirido as viaturas em cumprimento de um dos direitos protocolares a que lhes é assistido, como procurou justificar o Director Nacional de Orçamento, Rogério Nkomo. Este realçou ainda que, "a um preço de até 4.4 milhões de meticais por viatura, as despesas naquela compra têm peso insignificante no Orçamento do Estado", conforme publicou o País online.

 Tomás Queface, no Twitter

Desta forma criticou Fabião Nhancundele, facebook, em relação ao baixo-assinado movido pelo deputado da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Mocambique (MDM), Venância Mondlane.


As palavras do Director Nacional de Orçamento foram duramente criticadas nas redes sociais. 

Por sua vez, o jornalista Tomás Vieira Mário citado pelo Voa lamentou o facto de aquisição de viaturas acontecer numa altura de grande dificuldades, acrescentado que: "o momento em que o país vive, em que todos somos chamados ao sacrifício é que está por trás deste choque. Os cidadãos entendem que os sacrifícios não devem ser para uns e não para outros. Em outros momentos, até podia ser aceitável, mas não agora", disse o jornalista.

O internauta Juma Aiuba não mediu esforços para criticar as palavras do Director Nacional de Orçamento.



Houve ainda espaço para a criatividade, conforme ilustra esta imagens massivamente difundida pelas redes sociais.

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